terça-feira, 27 de outubro de 2009


Fome por Deus


Jejum é um reflexo ao nosso desejo e fome por Deus. E isso pode ser exatamente por que nós não jejuamos. É possível que nós realmente não "desejamos" a presença Dele e que nossa fome por Ele se compara com nosso desejo por rúcula ou jiló? Agora antes de você correr para achar o padre mais próximo e confessar seus pecados, escuta-me. Você não está sozinho. Eu repito, você não está sozinho. Você talvez pense que você é o único na sua igreja que não acorda com um desejo incontrolável a cantar bem alto um hino, mas você não é. O inimigo gostaria de convencê-lo que é, mas isso é somente uma mentira.


A maioria de nós gastamos nossas vidas questionando nossa salvação devido a ilusão que "Todos nós estamos apaixonados por Jesus" que existe na maioria dos círculos cristãos enquanto vivemos com uma realização terrível que nós não somos. Sim, sei que não é muito “cristão” dizer algo como isso, mas deixe-nos encarar a verdade, nós somos egoístas, criaturas que pensam somente em si por natureza. E às vezes nós realmente não nos importamos com o que Deus quer, resultando em muitos joelhos raspados na estrada da vida e uma abundância de lágrimas de arrependimento. A verdade é que lutamos para pensar “nas coisas lá do alto e não nas que são aqui da terra". É onde vivemos, onde respiramos, onde queremos permanecer eternamente. Pergunte a qualquer um se quer morrer e a maioria responderia "não". Nós não queremos deixar a terra. Gostamos das coisas "que são aqui da terra". E como exatamente é que nós poderemos viver, comer, dormir, e morrer aqui sem pensar em “aqui”? Sim, esta é a realidade da parada.


Nosso alvo tem que ser de desligar com tudo que é material, não deixando que isso nos controle, não sendo consumido por este mundo e as coisas dele, e verdadeiramente investindo em que é de valor eterno. E por isso nós jejuamos. Nós precisamos que Ele faça mudanças em nós que nunca conseguiríamos nem jamais escolheríamos fazer. E por isso nós jejuamos. Não porque já temos “chegado”, mas porque vemos que a distância é longa e que ainda temos que caminhar. Jejum é uma admissão de imperfeição, não uma confirmação de santidade.


Existe uma falta séria de fome por Deus na maioria de nós. Mas, por que? Por que nós não temos fome por Ele? Por que nós não somos tão tomados por ele que a única coisa que podemos pensar é de estar em Sua presença? Por que?


Nós não temos fome por Deus porque nós nos enchemos com outras coisas desse mundo. Vivemos numa era em que nós somos encorajados a cumprir os desejos dos nossos olhos e da nossa carne. "Por que nós não podemos ter isto ou aquilo"?, vai a pergunta; "Porque merecemos", vem a resposta.


Gastamos incontáveis horas assistindo a televisão sendo entretido por pessoas que são pagos para nos tirar do nosso relacionamento com Deus. Você já pensou sobre como seu relacionamento com Deus podia ser se você trocasse todas suas horas inúteis na frente da televisão por tempo com Ele? Imagine todas essas horas cantando, lendo e orando. Isto seria algo bem 12legal. Mas, sim, já sei, assistir TV é mais fácil; você simplesmente senta e não faz nada. As coisas sendo sugeridas são coisas que tem que ser ativamente feitas. Teria que fisicamente e mentalmente me empenhar, a própria coisa que eu não quero fazer; assim eu ligo a televisão. Nos trazendo de volta à pergunta, “É possível que nós não tenhamos nenhuma fome por Deus por estamos cheios de tantos outras coisas?” Estamos cheios de muitas outras coisas, mas nós não estamos cheios de Jesus e esse fato qualquer pessoa viva podia confirmar.


Este mundo é um mendigo e ladrão. Implora por nossa atenção e então rouba nosso tempo. Mas não é como uma pessoa chata numa festa que esperamos que não nos veja, mas vê e sem demora vem correndo em nossa direção para poder alugar nosso ouvido por uma hora vomitando bobagem absoluta, a maioria da qual nem ouvimos porque, ao invés de escutar, estamos tentando descobrir uma maneira de escapar. Não, o mundo é como a pessoa que nós realmente gostamos e podíamos gastar horas conversando e só descobrir no fim que eram dias e não horas. A única coisa que nós não compreendemos sobre este amigo é que ele nos segura intencionalmente; é toda parte de um plano para assassinar nossa vida espiritual. E enquanto ele está sorrindo e conversando, o inimigo se aproxima mais e mais, mirando em nós, totalmente dedicada a nos matar. Não, o mundo não é nosso amigo. É mendigo, ladrão e assassino. E muitos foram suas vítimas.


A realidade é que nós não temos nenhuma fome por Ele porque já temos nos deleitado no banquete deste mundo. Passamos pelo bufê onde podemos comer a vontade, que parece ser o objetivo do freguesa e não somente propaganda da restaurante, tantas vezes que de fato não há nenhum espaço mais em nós pra Ele, ao menos que seja como uma menta depois do jantar. E isso é como a maioria da igreja trata Ele, como uma pequena menta que não toma muito tempo nem lugar, mas traz um pouquinho de ar fresco e bom hálito na sua vida.


Eu pessoalmente estou bastante repugnado com minha vida e minhas tentativas fracas de paixão ao respeito do meu Salvador. Eu freqüentemente fico desapontado por eu estar tão longe das minhas próprias expectativas de dedicar mais da minha vida buscando Ele. Faço meus votos, só que mais rápido do que um beijo de véspera de Ano Novo, são esquecidos no mar de esquecimento que parece ser mais como um oceano em minha vida. Eu prometo, mas eu nunca faço porque existe tanta coisa lá fora competindo por minha atenção.


Eu nunca me senti muito popular na escola, embora agradecidamente eu não era o otário infeliz que se achou na mira de abuso de qualquer outra criança que tinha mais de 1m30cm de altura e pesava mais do que 50kg. Mas parando para considerar a minha vida agora, eu pareço ter me tornado algo quase igual uma estrela de filme porque há tantas coisas e pessoas querendo passar tempo comigo: a televisão, a Internet, esportes, amigos, meu trabalho, meu travesseiro. Quem sabe, talvez vou precisar criar um website pessoal e vender fotos autografadas para ajudar na minha renda. Ainda no meio de todo esse status aparente de "celebridade" permanece um 13que verdadeiramente me ama e deu Sua vida por mim. Um para quem eu tenho uma dificuldade de encaixar na minha agenda. Um para quem eu dispostamente professo meu amor eterno a qualquer um que talvez escute. Tem mais alguém aqui que ver a contradição em tudo isto? Se eu amo Ele, eu não devo ter um desejo por Ele, uma fome por Ele? Mas eu não tenho. E isso me perturba. Então, o que eu faço? O que nós fazemos? Como conseguiremos aquela fome de volta? Nós jejuamos.